A psicanálise em face da religião como dogma e como mito: Vatersehnsucht e Muttersehnsucht na gênese da fé

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Fecha
07/2025
Editorial
Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre
Revista
Revista de Psicanalise Da Sociedade Psicanalitica de Porto Alegre
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ISSN
1413-4438
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Idioma
Portugués
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Resumen
No presente trabalho, refletimos sobre o sentimento religioso a partir de uma perspectiva psicanalítica. Em primeiro lugar, reconstruímos a crítica de Sigmund Freud à religião, centrada no questionamento do dogmatismo e da obediência irrefletida, os quais se fundamentam na Vatersehnsucht e dão forma à neurose obsessiva universal. Para cumprir esse objetivo, começamos revisitando as primeiras aproximações de Freud ao fenômeno no início do século XX e integrando tanto as teses centrais de O futuro de uma ilusão (1927) quanto as contribuições de seus últimos escritos sobre o tema. Após expor os traços autoritários e obscurantistas do discurso religioso, abordamos o valor antitirânico e antidogmático da religiosidade como mito, servindo-nos das categorias freudianas. Ilustramos essa dimensão menos explorada da fé recorrendo a elementos das tradições grega e judaico-cristã que podem operar, mais do que como um incentivo, como um limite ao narcisismo exacerbado. Por fim, destacamos que, junto à nostalgia paterna, é possível identificar um anseio materno (Muttersehnsucht) como núcleo da religiosidade, um sentimento presente na teoria freudiana embora não suficientemente esclarecido. Despojado de suas tendências regressivas, tal anseio poderia ser um reservatório de vínculos eróticos por vir.
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