La historia cíclica de Borges: Disyunción y repetición en la política argentina

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Fecha
08/2026
Editorial
Universidad de Montevideo. Facultad de Humanidades y Educación
Revista
Humanidades
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ISSN
1510-5024
eISSN
2301-1629
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Idioma
Español
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Resumen
La incomodidad de Borges cuando el peronismo ocupa la política argentina, de 1943-55 a 1973 y 1983, afecta su obra literaria en aspectos laterales, que cobran interés en la crítica universitaria tras la última dictadura (Ludmer, Piglia, Sarlo, Panesi, Gamerro, Jarkowski, Kohan, Louis, Balderston). Contrario a la poética de cosmopolitismo y pudor, el énfasis antiperonista de Borges cristalizó tópicos, apoyados en aforismos repetidos en entrevistas, conferencias, prólogos, poemas: la disyuntiva Facundo o Martín Fierro, la analogía peronismo-rosismo, el desprecio individualista por la democracia. Este artículo conceptualiza la desarmonía poética provocada por la política argentina, detectada en formas de disyunción, repetición, corrección que, en la operación cultural de Borges sobre el canon, resignan la universalidad y fusión de opuestos que consagraron su literatura. Además de contribuir a la sistematización de la crítica en las últimas cuatro décadas, el foco sobre la enunciación política en zonas marginales de la obra evita la homogeneización y estetización del canon, y aporta una valoración no binaria de Borges lector y leído.
Borges’s nuisance during the periods when Peronism occupies Argentine politics —from 1943-55 to 1973 and 1983— had an indirect impact on his literary work, that has garnered attention among academic critics since the end of the last dictatorship (Ludmer, Piglia, Sarlo, Panesi, Gamerro, Jarkowski, Kohan, Louis, Balderston). Contrary to the poetics of cosmopolitanism and reticence, Borges’s anti-Peronist stance crystallized into clichés, reinforced by aphorisms repeated in interviews, lectures, prefaces and poems: the dichotomy between Facundo and Martín Fierro, the analogy between Peronism and Rosismo, and his individualistic disdain for democracy. This article conceptualizes the poetic disharmony caused by Argentine politics, as evidenced in forms of disjunction, repetition, and correction that, in Borges’s cultural treatment of the canon, undermine the universality and fusion of opposites that consecrated his literature. In addition to contributing to the systematization of critical discourse over the past four decades, the focus on political enunciation in marginal areas of the work prevents the homogenization and aestheticization of the canon, and offers a non-binary assessment of Borges as both reader and object of reading.
O mal-estar de Borges durante os períodos em que o peronismo dominou a política argentina —de 1943-55 a 1973 e 1983— repercute em aspectos secundários de sua obra literária, que passaram a suscitar interesse na crítica acadêmica após a última ditadura (Ludmer, Piglia, Sarlo, Panesi, Gamerro, Jarkowski, Kohan, Louis, Balderston). Ao contrário da poética do cosmopolitismo e do recato, a ênfase antiperonista de Borges cristalizou clichês, apoiados em aforismos repetidos em entrevistas, conferências, prólogos e poemas: a dicotomia entre Facundo e Martín Fierro, a analogia entre peronismo e rosismo, o desprezo individualista pela democracia. Este artigo conceitua a desarmonia poética provocada pela política argentina, detectada em formas de disjunção, repetição e correção que, na abordagem cultural de Borges sobre o cânone, resignam à universalidade e à fusão de opostos que consagraram sua literatura. Além de contribuir para a sistematização da crítica nas últimas quatro décadas, o foco na enunciação política em áreas marginais da obra evita a homogeneização e a estetização do cânone, e oferece uma avaliação não binária de Borges como leitor e como objeto de leitura.
Borges’s nuisance during the periods when Peronism occupies Argentine politics —from 1943-55 to 1973 and 1983— had an indirect impact on his literary work, that has garnered attention among academic critics since the end of the last dictatorship (Ludmer, Piglia, Sarlo, Panesi, Gamerro, Jarkowski, Kohan, Louis, Balderston). Contrary to the poetics of cosmopolitanism and reticence, Borges’s anti-Peronist stance crystallized into clichés, reinforced by aphorisms repeated in interviews, lectures, prefaces and poems: the dichotomy between Facundo and Martín Fierro, the analogy between Peronism and Rosismo, and his individualistic disdain for democracy. This article conceptualizes the poetic disharmony caused by Argentine politics, as evidenced in forms of disjunction, repetition, and correction that, in Borges’s cultural treatment of the canon, undermine the universality and fusion of opposites that consecrated his literature. In addition to contributing to the systematization of critical discourse over the past four decades, the focus on political enunciation in marginal areas of the work prevents the homogenization and aestheticization of the canon, and offers a non-binary assessment of Borges as both reader and object of reading.
O mal-estar de Borges durante os períodos em que o peronismo dominou a política argentina —de 1943-55 a 1973 e 1983— repercute em aspectos secundários de sua obra literária, que passaram a suscitar interesse na crítica acadêmica após a última ditadura (Ludmer, Piglia, Sarlo, Panesi, Gamerro, Jarkowski, Kohan, Louis, Balderston). Ao contrário da poética do cosmopolitismo e do recato, a ênfase antiperonista de Borges cristalizou clichês, apoiados em aforismos repetidos em entrevistas, conferências, prólogos e poemas: a dicotomia entre Facundo e Martín Fierro, a analogia entre peronismo e rosismo, o desprezo individualista pela democracia. Este artigo conceitua a desarmonia poética provocada pela política argentina, detectada em formas de disjunção, repetição e correção que, na abordagem cultural de Borges sobre o cânone, resignam à universalidade e à fusão de opostos que consagraram sua literatura. Além de contribuir para a sistematização da crítica nas últimas quatro décadas, o foco na enunciação política em áreas marginais da obra evita a homogeneização e a estetização do cânone, e oferece uma avaliação não binária de Borges como leitor e como objeto de leitura.
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