Autodestrucción, sacrificio y comunidad en Romance de la negra rubia (2014) de Gabriela Cabezón Cámara

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Fecha
07/2023
Editorial
Universidade de Santa Cruz do Sul
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1982-2014
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Español
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Resumen
Este trabajo propone articular las categorías de autodestrucción,sacrificio y comunidad con la nouvelle Romance de la negra Rubia (2014) deGabriela Cabezón Cámara, focalizando en el periplo de la protagonista. Su acciónfundamental, quemarse a lo bonzo, se entiende aquí como una experienciaautodestructiva diferente del suicidio. Pensado desde Bataille (2007), y desde la lectura que Espósito hace de Bataille (2006), puede entenderse al sacrificio como evento ?fundante? (CABEZÓN CÁMARA, 2014, p. 32), eje en un proceso desubjetivación y afectación que trasciende la dimensión puramente existencial delsuicidio como lo entiende Camus en El mito de Sísifo (1942), para pasar a unadimensión colectiva: la posibilidad de la comunidad. A diferencia del martiriocristiano, en el texto de Cabezón Cámara se descentraliza al cuerpo insertándolo enun proceso cuyos efectos para con los otros escapan al individuo que se ofrececomo sacrificado: su muerte voluntaria, o la posibilidad de esta muerte, se convierte en un suceso predominantemente político o, más bien, de resistencia política frente a los embates de la violencia estatal articulada con el desalojo como práctica predatoria del capitalismo en su estado actual. La autodestrucción aparece en Cabezón Cámara como mecanismo de resistencia radical, y su instauración como sacrificio, como la posibilidad de fundar una memoria colectiva.
Este trabalho tem como proposta articular as categorias de autodestruição, sacrifício e comunidade a partir da leitura da novela Romance de la negra rubia (2014), de Gabriela Cabezón Cámara, focalizando no périplo da protagonista. Sua ação fundamental de jogar líquido inflamável por todo o corpo e se queimar viva é entendida, aqui, como uma experiência autodestrutiva diferente da de um suicídio. Via postulados de Bataille (2007) e, ainda, a partir da leitura que Espósito realiza a respeito de Bataille (2006), pode-se tomar o sacrifício como um evento “fundante” (CABEZÓN CÁMARA, 2014, p. 32). O eixo em um processo de subjetivação e afetação que transcende a dimensão puramente existencial do suicídio, como a observada em Camus em El mito de Sísifo (1942), passa para uma dimensão coletiva: a possibilidade da comunidade. Diferentemente do martírio cristão, o texto de Cabezón Cámara se descentraliza em direção ao corpo, inserindo-o em um processo cujos efeitos para com os outros escapam ao indivíduo que se oferece como sacrificado: sua morte voluntária, ou a possibilidade dessa morte, converte-se em um fato predominantemente político, ou melhor, de resistência política diante dos embates da violência estatal articulada com o despejo enquanto prática predatória do capitalismo em seu estado atual. A autodestruição aparece em Cabezón Cámara como mecanismo de resistência radical e sua instauração como sacrifício como a possibilidade de fundar uma memória coletiva.
This work proposes a philosophical Reading on Gabriela Cabezón Cámara’s Romance de la negra Rubia (2014) focused on the process of the main character. Its fundamental action, to burn like a bonzo, is understood as a radical selfdestructive experience different from suicide. Thought from Bataille (2007), and from the reading that Esposito makes out of Bataille (2006), sacrifice can be understood as a “founding” event (CABEZÓN CÁMARA, 2014, p. 32), axis in a process of subjectivation and affectation that transcends the purely existential dimension of suicide as Camus understands it in The myth of Sisyphus (1942), to move to a collective dimension: the possibility of a community. Unlike Christian martyrdom, in Cabezón Cámara's text, the body is decentralized by placing it within a process whose effects on others escape the individual who offers themselves as a sacrifice: their voluntary death, or the possibility of such death, becomes a predominantly political event or, rather, political resistance against the onslaught of state violence articulated through eviction as a predatory practice of capitalism in its current state. Selfdestruction appears in Cabezón Cámara's work as a mechanism of radical resistance, and its establishment as sacrifice, as the possibility of founding a collective memory.
Este trabalho tem como proposta articular as categorias de autodestruição, sacrifício e comunidade a partir da leitura da novela Romance de la negra rubia (2014), de Gabriela Cabezón Cámara, focalizando no périplo da protagonista. Sua ação fundamental de jogar líquido inflamável por todo o corpo e se queimar viva é entendida, aqui, como uma experiência autodestrutiva diferente da de um suicídio. Via postulados de Bataille (2007) e, ainda, a partir da leitura que Espósito realiza a respeito de Bataille (2006), pode-se tomar o sacrifício como um evento “fundante” (CABEZÓN CÁMARA, 2014, p. 32). O eixo em um processo de subjetivação e afetação que transcende a dimensão puramente existencial do suicídio, como a observada em Camus em El mito de Sísifo (1942), passa para uma dimensão coletiva: a possibilidade da comunidade. Diferentemente do martírio cristão, o texto de Cabezón Cámara se descentraliza em direção ao corpo, inserindo-o em um processo cujos efeitos para com os outros escapam ao indivíduo que se oferece como sacrificado: sua morte voluntária, ou a possibilidade dessa morte, converte-se em um fato predominantemente político, ou melhor, de resistência política diante dos embates da violência estatal articulada com o despejo enquanto prática predatória do capitalismo em seu estado atual. A autodestruição aparece em Cabezón Cámara como mecanismo de resistência radical e sua instauração como sacrifício como a possibilidade de fundar uma memória coletiva.
This work proposes a philosophical Reading on Gabriela Cabezón Cámara’s Romance de la negra Rubia (2014) focused on the process of the main character. Its fundamental action, to burn like a bonzo, is understood as a radical selfdestructive experience different from suicide. Thought from Bataille (2007), and from the reading that Esposito makes out of Bataille (2006), sacrifice can be understood as a “founding” event (CABEZÓN CÁMARA, 2014, p. 32), axis in a process of subjectivation and affectation that transcends the purely existential dimension of suicide as Camus understands it in The myth of Sisyphus (1942), to move to a collective dimension: the possibility of a community. Unlike Christian martyrdom, in Cabezón Cámara's text, the body is decentralized by placing it within a process whose effects on others escape the individual who offers themselves as a sacrifice: their voluntary death, or the possibility of such death, becomes a predominantly political event or, rather, political resistance against the onslaught of state violence articulated through eviction as a predatory practice of capitalism in its current state. Selfdestruction appears in Cabezón Cámara's work as a mechanism of radical resistance, and its establishment as sacrifice, as the possibility of founding a collective memory.
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