Evento

Influência da distribuição espaço-temporal de recursos no nicho ecológico de mamíferos de médio e grande porte na Patagônia Central

Entringer Júnior, Hilton Icon; Blanco, Gabriela Silvina Icon; Udrizar Sauthier, Daniel Edgardo Icon; Srbek de Araujo, Ana Carolina

Otros responsables

Fecha

2024

Editorial

Sociedade Brasileira de Mastozoologia

Revista

Título del libro

Nombre del evento

XII Congresso Brasileiro de Mastozoologia

Fecha del evento

2024-09-23

Institución organizadora

Sociedade Brasileira de Mastozoologia

ISSN

eISSN

ISBN

978-65-985198-1-0

Idioma

Portugués

Tipo del evento

Congreso

Clasificación temática

Resumen

O nicho ecológico das espécies é influenciado por relações interespecíficas e por fatores ambientais e o seu ajuste pode garantir a aquisição de recursos em diferentes contextos. Considerando isso, foi caracterizado o nicho espaço-temporal de mamíferos patagônicos, determinando o nível de especialização entre estações e diferenças relacionadas ao uso de habitats entre uma colônia de Pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) e seu entorno. Os dados foram obtidos em Cabo dos Bahías (Argentina), entre 2022-2023, usando armadilhas fotográficas (colônia=8; entorno=11). Os registros foram agrupados em períodos de maior (Pl=novembro-março) e menor produtividade primária (P2=maio-setembro), estando P1 associado à presença dos pinguins. Foram calculados sucesso de captura (SC: intensidade da atividade), amplitude de nicho (AN: especialização temporal) e sobreposição de nicho (SN: similaridade entre períodos/ambientes). Foram obtidos 7.964 registros de seis espécies, sendo o SC variável entre ambientes e/ou períodos: Lama (colônia: P1=128,8/P2=84,1; entorno: 150,4/68,5), Chaetophractus (colônia: 47,9/46,5; entorno: 5,8/2,1), Lepus (colônia: 16,1/45,7; entorno: 15,6/7,9), Conepatus (colônia: 8,7/9,8; entorno: 3,0/1,3), Lycalopex (colônia: 1,1/3,2; entorno: 4,0/4,1) e Leopardus (colônia: 1,4/6,9; entorno: 1,6/2,2). Na colônia, maior especialização em P2 foi observada para Lama (AN: 0,562/0,389) e Chaetophractus (0,771/0,453) e maior especialização em P1para Lepus (0,620/0,723), Leopardus (0,272/0,541), Conepatus (0,394/0,581) e Lycalopex (0,434/0,512), sendo a similaridade do nicho elevada entre estações para todas as espécies (SN entre 0,670-0,838). No entorno, durante P1, foi observada ampliação do nicho para Lama (0,576/0,442), Lepus (0,579/0,536), Conepatus (0,347/0,264) e Chaetophractus (0,597/0,358), e redução para Leopardus (0,537/0,689) e Lycalopex (0,519/0,726). Nesse ambiente, observou-se maior similaridade entre períodos para Lama, Lepus, Leopardus e Lycalopex (entre 0,738-0,934) e menor para Chaetophractus e Conepatus (0,554-0,567). Comparando ambientes, o padrão de atividade foi similar entre estações para Lama (0,953/0,976), Lepus (0,909/0,843), Chaetophractus (0,775/0,894) e Conepatus (0,757/0,705) e mais variado para Lycalopex (0,593/0,870) e Leopardus (0,439/0,656). A intensidade da atividade entre ambientes e períodos variou entre espécies, não sendo identificado um padrão geral a nível de comunidade. Contudo, relações tróficas e condições ambientais podem ter modelado o nicho das espécies. Nesse sentido, a maior disponibilidade de recursos na colônia durante P1 pode ter favorecido a maior especialização de Leopardus (predador de pinguins adultos), Conepatus e Lycalopex (ambas interagem com carcaças de pinguins). A ampliação da atividade de Chaetophractus (predador de ovos e filhotes de pinguins) em P1, pode ter sido favorecida pelas maiores temperaturas, possibilitando atividade noturna na colônia (maiorvulnerabilidade dos ninhos). O aumento da atividade de Lepus na colônia em P2 pode ter contribuído para o aumento do SC de seus predadores, Leopardus e Lycalopex, ressaltando que ambos foram mais generalistas no entorno (menor disponibilidade de recursos). O fotoperíodo também pode ter influenciado o nicho das espécies, visto que espécies diurnas foram mais generalistas e espécies noturnas mais especialistas em P1 (período luminoso mais longo), o que se inverteu em P2 (ampliação do período escuro). De forma geral, o nicho temporal dos herbívoros foi mais conservador entre períodos e ambientes, em comparação com os carnívoros, demonstrando maior sensibilidade de predadores às mudanças espaço-temporais na disponibilidade dos recursos e à influência da colônia de pinguins.

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